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Vidas que, quer queiramos quer não, fazem parte de nós.


03
Jan15

Zurique. Um breve olhar.

por Eu, simplesmente!

São 22H30, hora local, quando sobrevoamos Zurique. Como qualquer outra cidade, aos nossos pés – ou por debaixo deles – estende-se um mar de luzes minúsculas, umas mais juntas, outras mais dispersas, de acordo com a dimensão do aglomerado habitacional sobrevoado. O aeroporto está praticamente deserto àquela hora. Meia dúzia de pessoas passam apressadas seguindo, cada uma, o seu caminho.

Saímos.Cá fora, as estradas cruzam-se em todas as direcções. É noite, pouco se vê para além da sinalética do trânsito. Chegamos a casa, vamo-nos deitar com o coração mais cheio. É a ternura, é o calor que advém de estarmos entre amigos, de partilharmos vidas, afectos, alegrias.

Amanhece e a cidade espera-nos. Queremos conhecê-la. Começamos pela rua que auto-denominamos por “rua das joalharias”, ou seja, pela Bahnhofstrasse. É que estas multiplicam-se de forma assombrosa, seguindo se umas às outras, contíguas, quase iguais. O preço de grande parte das peças expostas atinge uma ordem de grandeza que nos faz sorrir. Poderíamos nós – ou a maioria das pessoas com quem nos cruzamos – ter acesso a uma qualquer delas?

Uma multidão de gente anónima cruza-se na correria própria de qualquer cidade. Gente comum, pensamos. Mas, à medida que vamos andando, começamos a aperceber-nos de que isto não é bem verdade. É que há espaços que parecem destinados a uma elite, e só a ela. É o restaurante à porta do qual conversa um grupo de homens (apenas homens) com um ar distinto, com o “toque” que só o dinheiro dá. A alta finança está ali representada: sente-se, quase se toca. Olhamos as pessoas, apenas as pessoas. Não interessa mais nada a não ser "vê-las", senti-las na sua maneira de estar. Esta é a verdadeira forma de conhecer um povo, analisar comportamentos e atitudes. A multiculturalidade impõe-se, sente-se um pouco por todo o lado, os idiomas falados são os mais diversos. De repente paramos, alguém canta. Ouvido à escuta, que as vozes vinham de longe: portugueses, eram compatriotas que trabalhavam numa obra e cantavam bem dispostos, verificamos depois.

Mas, e os suíços? Não, não constituíram uma surpresa! Já sabíamos do seu lado frio, demasiadamente pragmático, demasiadamente "mecanizado". Seriamos capazes de viver, trabalhar, com pessoas tão diferentes no seu modo de ver e estar na vida?

 

CCB (73).JPG

 

 Não, decididamente, não! Abençoados latinos na sua forma calorosa de estar na vida.

Se perdemos o gosto pela visita? Nem pensar! Enquanto paisagem Zurique tem locais fabulosos, lindos, locais onde apetece ficar/estar. Uma experiência a não esquercer, um país a revisitar com mais tempo.

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6 comentários

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De Nadine Pinto | Fotografia a 03.01.2015 às 20:16

Nós ainda não sabemos se voltamos à Alemanha ou se vamos conhecer um pedaço da Suiça este ano.

De qualquer forma, o que eu queria dizer é que em relação aos alemães (é tudo nórdicos, vai dar ao mesmo), surpreendem-me imenso de cada vez que lá vou. Encontro calor humano, sim. E pormenores delicados e mimosos e tanta coisa que eu já contei no meu blogue (parei apenas para fotografar uma casa linda de morrer e acabei dentro da casa a beber chá e a comer bolinhos). E gosto do pragmatismo. E gosto que não se cumprimentem com beijos (eu odeio beijos, um aperto de mão até já é muito para mim). E adoro ver os velhos a mexerem-se (juro que apanhei um susto a primeira vez que vi uma velha a andar de bicicleta, deveria ser mais velha que a minha avó), os animais a terem a liberdade de entrar em todo o lado e serem tratados como merecem... tanta coisa. Nem falo da educação e da saúde, que é para não me enervar.

A minha madrasta é alemã e senhor meu pai está sempre a dizer que eu dava uma bela alemã. Eu prefiro que ele diga que eu dava uma bela nórdica.

Não só eu conseguiria viver num desses países civilizados, como adorava abalar já amanhã. Tinha era que levar a minha avó e isso era complicado.

Talvez um dia. Porque os meus filhos merecem muito mais do que isto. Até eu.
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De Eu, simplesmente! a 05.01.2015 às 00:13

Por que não optar pela Suíça?
Tem zonas lindíssimas que conheci e, muitas outras que, segundo o meu menino, são igualmente de visita obrigatória, só que o tempo não deu para mais.

Quanto aos países nórdicos respeito a tua opinião, sabes bem como "funciono" mas só por grande azar é que iria viver para qualquer deles. Aquele ar de esfinge de muitos, e conheço alguns muito bem, deixa-me doente.
Dêem-me a Itália, a Espanha - a França não - dêem-me a possibilidade de viver entre/com gente de garra, de sangue e nervos, e alegria, e sensibilidade, e, e...?
Meu Deus, quanta diferença nos separa!
Mas se esse é o teu sonho, se deixar o nosso país faz parte do teu projecto de vida, oro para que Deus te conceda essa bênção. Mereces, tal como os teus filhos, ser feliz, portanto, força, Amiga.
Beijinhos.
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De Existe um Olhar a 05.01.2015 às 13:16

Eu adoro a Suíça e todos os anos lá vou. Encantam-me sobretudo as paisagens que não me canso de fotografar.
Dos suíços tenho opiniões diferentes conforme as regiões. Os da zona alemã acho-os frios e um tanto inacessíveis, já os do cantão italiano são abertos, alegres, bonitos e dá gosto ouvi-los falar e tagarelar nas belíssimas esplanadas ao ar livre. Na região de Genéve, parece que estamos em Portugal, tal a quantidade de portugueses que escolheram aquelas paragens para viver.
Tenho amigos espalhados por todas as regiões e digo muitas vezes que se pudesse escolher era lá que gostava de morrer, enquanto isso não acontece, vou-me perdendo pelas montanhas contemplando paisagens de cortar a respiração.
De Zurique tenho a mesma opinião que deixaste aqui.

Beijos
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De Eu, simplesmente! a 13.01.2015 às 19:02

Olá, Manu!

Uma vergonha este atraso na resposta ao teu comentário. As minhas desculpas.:(

Conheço apenas Zurique, mas todos aqueles com quem tenho falado sobre a minha desagradável impressão relativamente aos suíços partilham da tua opinião: Genéve é outro mundo, afirmam.
Apetece dizer: graças a Deus!

Beijinhos
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De Miguel Alexandre Pereira a 05.01.2015 às 16:08

Suíça é um dos países que mais quero visitar, deve ser um país fantástico. É daqueles que vale a pena visitar :)

http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/
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De Eu, simplesmente! a 14.01.2015 às 17:56

A zona que visitei é, de facto, muito bonita, vale mesmo a pena.
Abraço.

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